Quisera eu derramar-me em lágrimas com o soneto dos ventos...
Quisera eu ter jóias de diamante...
Quisera eu ter tato de veludo e não machucar-te nunca, nunca mais...
Quisera eu ter beijos de mel e açucarar tua vida, adoçar teu semblante, sem enjoar teu caminho...
Quisera eu ser forte tal como o aço, ter músculos de concreto e ossos inabaláveis, para carregar-te em meus braços sempre que sofresses da mais profunda dor, sempre que teu corpo quedasse em cansaço, tua alma deixasse de sorrir e teus passos demonstrassem sofreguidão...
Quisera eu ter versos com rimas e emocionar-te com elas...
Quisera eu ser homem de todas as horas, rico de dinheiro e pobre de desejo (talvez fosse tudo mais fácil)...
Se gaivotas voassem em meu céu e me acordassem, o que seria de meus sonhos? Se os ventos melodiassem, como enxugar minhas lágrimas? E para que ter jóias, se tu és insubstituível? Se tivesse mãos de veludo, não sentiria a poesia de teu corpo...
Se meus beijos fossem doces, não despejaria minha pele ácida sobre a tua, e que graça teria? Se eu fosse forte como aço, se pudesse carregar-te, como me tornar teu menino, às vezes indefeso, às vezes manhoso? E se estes versos tivessem rima, como mostrar-te que são verdadeiros?
E se eu fosse homem de todas as horas, como ser o menino de sempre?
E se eu não tivesse desejos, como explicar meu olhar insano?
(Felipe Menezes)